Iceberg


Era perigoso pensar nela. Ele sabia disso.

E apesar dos avisos instintivos, era só o que sabia fazer.

Ela era efemeridade, explosão. Mas também tinha um mundo inteiro que não revelava. Ela mesmo já havia admitido.

Eu sou toda quebrada por dentro.

Ainda sim, ele pensava nela. Não tinha outro jeito. Já era tarde.

Todo dia ele acordava e prometia que seria diferente. O caminho para o trabalho era carregado de fluidez, pensamentos livres e sensação de retomada.

Então ele chegava. E naturalmente procurava por ela.

Ela não está aqui. Ótimo.

(Inquietação)

E se… Para!

Mas ele não conseguia evitar. Tinha mais alguém que também não estava ali.

Estariam eles juntos?

E a ideia pinicava os pensamentos dele.

O trabalho… bem, era difícil se concentrar assim.

Mas ele se esforçava. Passado um tempo era possível executar suas atividades. Não com toda dedicação, admitia.

De repente alguém comentou que o colega não viria trabalhar hoje. Estava doente.

Mais do que queria admitir para si mesmo, sentiu alívio.

Ele está doente e ela deve estar ocupada em suas tarefas diárias.

Logo que completou esse pensamento, ela apareceu na porta.

Leve como sempre. Com seu mundo quebrado. Efêmero. Explosivo.

Ele aguentou alguns segundos intermináveis sem buscar o seu olhar.

Sem sucesso, encarou aquele par que o esmagava por dentro.

Ela retribuiu. Mas o olhar era diferente.

Parece um pedido de desculpas.

E ele sentiu. Era o seu iceberg carregado de emoções que aparecia um pouco mais naquele dia.

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.