O vento


Ela estava em cima da árvore preferida. Como sempre. Era o seu refúgio para momentos como esse.

De lá ela observava todo mundo e ninguém nunca a via. Já reparou como as pessoas olham pouco para cima?

O silêncio era sua companhia preferida. Iluminava os pensamentos e ajudava a enxergar a situação de um jeito mais nítido. Doía menos assim.

De quebra podia ouvir e acompanhar o caminhar dos outros. Cada um no seu ritmo, imerso em pensamentos.

Quais serão os problemas deles?

Indagar sobre tudo que os outros enfrentaram ajudava a criar coragem.

No fim das contas todo mundo cresce.

Mas aí quando tudo parecia simples, alguma coisa cutucava.

Sensação estranha.

Nada era tão simples assim. Não pra ela.

E ela desejava não ser tão profunda. Tanta maturidade e inteligência…

Eu podia ser que nem essas pessoas. 

O galho no qual estava sentada começou a incomodar, como se quisesse expulsa-lá dali.

Mas ela ainda não se sentia preparada para descer e encarar o mundo.

Fechou os olhos.

Apenas respira.

De repente ela percebeu que não era só o silêncio que lhe fazia companhia.

Ela sorriu ainda de olhos fechados.

Eu sempre amei o vento.

O vento lambeu o rosto dela. Os cabelos. As lágrimas e até o sorriso.

O mesmo vento que leva traz.

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

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