Pudim


Mais um jantar de fim de ano. Aos poucos todos os parentes foram chegando.

Nas mãos os presentes, nos rostos o esforço. Esforço para deixar tudo no passado. Esforço para renovar as expectativas. E principalmente esforço para responder a todas as perguntas constrangedoras.

Lá vem a tia Ana.

A tia Ana veio carregada. De ansiedade.

Ele riu mentalmente.

Ela disparou as perguntas.

O coitado desviou do que pode, mas no fim acabou cedendo.

Lá vai ela toda satisfeita.

E então chegou a hora do jantar. As mesmas histórias. Os mesmos elogiados. Os mesmos criticados.

E ele foi se afogando nas angústias, na insegurança, nos medos e…

Ah meus defeitos.

O suspiro encheu as costelas e se perdeu no meio do caminho. Até o suspiro estava assustado.

Levantou da mesa.

Isso deve ser efeito do Natal. Vou dar uma volta. 

Observando os enfeites da árvore natalina, a vida pareceu certa. No ritmo.

Dessa vez o suspiro foi completo.

Hora da sobremesa!

Um monte de doces. Ele, orgulhoso, trouxe o mais caro que encontrou.

Ninguém se serviu desse. Todos queriam pudim.

O suspiro pareceu não querer mais dar as caras.

Eu queria ser que nem pudim.

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.