Quando o sapato aperta


Mais uma vez ele estava lá em meio ao grande grupo. Muito barulho, agito, reencontros e risadas forçadas.

O que eu estou fazendo aqui?

Ao seu redor ruídos ensurdecedores de pessoas que fazem parte de algo (elas se enquadram nos requisitos sociais).

Como as pessoas conseguem fazer isso?

Nas mãos ele não segurava nada. Tirou do bolso o celular e fingiu estar ocupado.

Ouviu passos. À frente parou alguém familiar.

Alívio.

Os dois se cumprimentaram e conversaram sobre bobagens. O tempo. O evento que estava prestes a começar. As notícias horríveis sobre política.

Superficialidades.

Ele não pode deixar de notar que não era o único que estava desconfortável no ambiente.

É a oportunidade de sairmos daqui.

Nervosos, os dois trocam olhares. Olham seus relógios. Comentam sobre mais alguma coisa sem sentido.

Ele também não se encaixa nesse grupo.

Ao fundo alguém avisa para se prepararem que o evento começará.

Sem jeito os dois se despedem. Ele ajeita o semblante e caminha discretamente para o seu lugar.

A cadeira é confortável. O espaço é agradável. Mas ele suspira, o sapato aperta.

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

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