O tamanho do mundo


O mundo é do tamanho que a gente dá pra ele.

Ele ainda não tinha consciência da grandiosidade da descoberta que havia feito, mas sentia. Enquanto passava as tardes ensolaradas correndo e subindo em árvores, ou nos dias de chuva, pulando de poça em poça. Não existia o tempo. Apenas os machucados, que magicamente eram curados com carinho. No outro dia, as cicatrizes eram contadas com orgulho e as brincadeiras recomeçavam.

Tudo era motivo para se divertir, mas tinha uma coisa em especial que lhe enchia o coração de alegria. Não precisava de dinheiro, nem lojas de brinquedos, nem companhia. Abria um dos armários da cozinha e pegava escondido um prato fundo de duralex. Aquele prato virava um novo tipo de lente para enxergar o mundo. Saía pelo pátio olhando o chão e enxergando as novas formas através daquele brinquedo simples, impensável.
O menino cresceu e o prato não foi mais motivo de brinquedo. Afinal, pratos devem ser usados para colocar comida, certo? E assim cada coisa assumiu o papel de cada coisa. O mundo se tornou mais objetivo, direto, repleto de coisas de adulto. Mas também ficou menor… o mundo contido no quintal daquele menino, no fundo dos pratos e nas poças de chuva se fechou, perdido entre prazos, entregas e excesso de seriedade.

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!