Protagonista da história 


Ah os livros… Como era bom encontrar refúgio em suas histórias, personagens, possibilidades e sonhos. Mais que tudo isso, ter sempre um amigo por perto.

Quando pequena, tinha o sonho de viver tudo aquilo que lia, participar de diálogos interessantes como aqueles e viver as inúmeras aventuras descritas ali. 

Era muito fácil e natural se perder nas horas ao ler página após página. Não queria mais nada da vida, devorava as palavras e corria os olhos para dar conta de tantas linhas. 

A menina cresceu e acabou lendo menos. Menos coisas que lhe interessavam, menos livros de fantasia, menos imersões naquelas possibilidades de mundos. 

Certo dia estava organizando todos os seus livros. Eram muitos, mas não conseguia doá-los. Sentia vergonha por querer guardar todas aquelas histórias só para si e ainda assim era muito doloroso pensar em abrir mão delas.

Livro após livro foi colocado dentro de uma caixa. E então se deparou com ele. Ah aquele livro lhe atingia mais que todos os outros. Era a história da sua personagem preferida, sua ídola. 

Sentou no chão e folheou aquelas páginas familiares, surradas de tanto serem manuseadas quando era menina. Sentiu o peito apertar e a emoção transbordou pelo rosto até molhar a página. Lá estava ela, sua referência de força, determinação e felicidade.

Ao reencontrar sua protagonista predileta, o questionamento foi inevitável…

Quando foi que eu deixei de ser a protagonista da minha vida?

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!