Os sentimentos não ditos 


Queria um pouco de sossego. Achava justo ter um momento só seu, já que todos pareciam ser prioridade, exceto ela. Já havia se dedicado aos outros durante toda sua vida, portanto prometeu para si mesma que, naquele dia, teria um momento só seu.

Dispensou as visitas, inventou uma doença e foi para o seu quarto. Apesar de dormir sozinha naquele espaço, sempre estava cercada daqueles que amava. Mas não ia pensar nisso agora, afinal que mal tinha ficar um pouco longe de todos?

Se deitou na cama. Sua cama. Fechou os olhos. Abriu. Reparou que o teto estava sujo. Fez menção de se levantar. Não! Se forçou a ficar deitada. Parecia que o mundo havia feito uma pausa. Silêncio. 

Lembrou que não havia estendido a roupa molhada. O relógio da cozinha estava sem pilha. Será que havia desligado o fogão? Quieta!

Respirou fundo. Silêncio de novo. Pareceu sossegar até que… que som era esse? Abriu os olhos e espiou a sua volta. Lá estavam os responsáveis por interromper o seu momento. Em cima do bidê um porta retratos com uma foto envelhecida. Na imagem, rostos familiares, esquecidos pelo tempo, que pareciam querer lhe falar.

Não sentiu medo. Não disse nada. Fazia tempo que não os ouvia e eles estavam chateados. Baixinho, eles perguntaram:

Fingir que nunca existimos silencia os teus sentimentos?

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

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