Pontos de partida


Ai de si quando o coração aperta. Era para ser simples, né? A pessoa nasce, vive e morre. Simples assim. Mas naquele dia, ele não estava disposto a se conformar com o simples. Havia acordado com o coração inquieto.

Enquanto atravessava a cidade dentro do ônibus, sentia que o ar estava mais pesado – lhe esmagando o peito. Nos fones de ouvido, colocou sua música preferida para tocar. Suspirou com vontade, mas aquele barulho pareceu lhe trancar ainda mais os pulmões. Aumentou o volume da música e respirou, dessa vez, mais lentamente. 

Já estava quase na hora de desembarcar, mas não se sentia pronto. Parecia que o mundo inteiro estava acelerado e ele indo na contramão. O que será que o estava aborrecendo desse jeito?

Repassou as últimas lembranças, encontros e desejos. Tudo em ordem – aparentemente. Mas já havia se enganado antes, inúmeras vezes. 

Pensou no dia que teria pela frente, na semana, nas pessoas. Se deu conta que faltava pouco para as férias. E também para o fim do ano. Logo iniciaria um novo ano. Sentiu o coração bater duas vezes fora do ritmo. Ali estava. Não podia lidar com aquilo. Mais um ano. Novas expectativas. Vida que seguia apesar de tudo. 

Tocou a campainha. Havia chegado a hora de descer do ônibus. 

Desembarcou e olhou para trás. O ônibus já havia partido. Era a vida que continuava após pequenas interrupções… 

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

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