Viver


No silêncio daquele domingo à tarde escutou um barulho alto, ensurdecedor. Infelizmente, sabia identificar que som era aquele e o que era pior, já havia se acostumado com ele. 

Era o som de um tiro. Ali perto dele se encerrava mais uma vida. Uma bala, um artefato desenvolvido por um ser humano para ferir outro ser vivo, saía de algum revólver e atravessava alguém, encerrando sua história. Para sempre. 

Ele estava em casa descansando, como sempre fazia aos domingos e, a alguns metros de distância, todo o universo de alguém findava em alguma ruela qualquer. Era uma jornada que ficava para trás, certamente uma família que ficaria órfã. Sairia aquele fato nos jornais? Talvez em formato de gráfico? O ser humano seria noticiado como mais um? Lhe dariam o nome ou seria julgado como uma morte merecida?

Naquele domingo não podia continuar indiferente. Ao menos naquele dia, não enfrentaria o dia como mais um número do calendário. Precisava viver, precisava sentir que estava fazendo algo além de respirar e esperar suas férias. 

A morte, apesar de dolorosa e cruel, pode significar o despertar para quem fica. 

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

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