O estranho


Mais um dia de aula, mais uma vez excluído. Ele era visto como estranho. Não apropriado para estar em meio aos demais. A cada atividade em grupo, a mesma tortura: quem teria que ficar com ele?

Na hora do recreio, interagia com seu próprio mundo, observando os outros sorrindo e dividindo histórias, risadas e alguns planos para o final de semana. Ele parecia invisível para os demais. Em alguns momentos gostaria de ser para si mesmo também.

Não entendia porque continuava insistindo em levantar da cama e lutar por mais um dia. Mas ia. 
Os anos passaram e a escola terminou, partindo para uma universidade. A escolha do curso era tão peculiar quanto ele e assim algo novo aconteceu: sentiu-se pertencente a um mesmo grupo, estava em casa. O estranho que habita nele finalmente encontrou os estranhos que habitam nos outros. 

Afinal, podem negar e podem tentar esconder, mas todos têm um lado que causaria estranhamento até nos mais originais. 

Publicado por

Bianca Menti

Se você chegou até aqui procurando respostas, sinto muito, mas eu também não as tenho. (Tampouco acredito que alguém possa nos ajudar neste quesito). O engraçado é que quanto mais certeza eu tenho sobre esse fato, menos medo eu sinto. A vida é mesmo essa inquietude infinita que nos move sem termos muita segurança! Que assim seja, vamos desfrutá-la!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.