As piores lentes do mundo

Tenho em mim as piores lentes do mundo. Tem dias em que é impossível arrancá-las dos meus olhos. Em fases assim, só me resta tentar limpar seus pedaços de vidro que me guiam – nem sempre de forma segura – à frente.

Não sei dizer se comprei ou ganhei esse par malvado, mas está comigo há tempos. Será que desde que eu nasci?

O peculiar é que ninguém percebe que eu tenho essas lentes, elas são invisíveis aos olhos dos outros. E eu prefiro assim. Deixa as minhas individualidades e esquisitices para mim mesma.

Há alguns anos tenho frequentado bons especialistas em visão, mas o grau não tem reduzido, apenas variado. Ora aumenta, ora estabiliza.

Creio que o jeito seja seguir com esse acessório e acreditar que outros também devem usá-lo por aí.

Gira mundo

Aonde você vai, menina? Quem foi que lhe arrancou o brilho do seu sorriso? Onde está a ponte que leva a alegria do seu coração aos seus olhos?

Eu lhe daria um abraço, mas sabemos que isso não vai resolver. Deixemos as coisas assim, o mundo gira devagar, mas sempre gira. Quem sabe na próxima volta você se encontra consigo mesma?

Não existem muitas certezas na vida, mas posso lhe assegurar que nada dura para sempre. Talvez isso lhe aterrorize, talvez lhe console. Não importa. Se segura, o mundo vai girar de novo…